Crianças

COMIDA DE CRIANÇA

Eu cresci com uma dieta que acredito que era a comum pra maior parte das crianças de classe média da época. Comíamos pouco fora, lembro que isso era algo pra ocasiões especiais. Café e almoço, quase sempre eram caseiros: mamãe preparava tudo em casa e no fim de semana era na casa de avós.

Comia açúcar no bolo e nos doces do fim de semana. Industrializados faziam parte da rotina. Não fui amamentada no peito, e, apesar de comer bem, fiz parte de uma geração que comia o que era mais prático e conveniente para os pais. Não se falava em orgânicos e danoninho na lancheira era o máximo.

Vejo que os hábitos alimentares são um reflexo completo da cultura, e da situação econômica de cada família. Hoje temos mais recursos, mais informação e podemos, mesmo se falando em crise, nos preocupar com questões além das básicas da pirâmide de Maslow, das necessidades humanas.

Esse é o João, não é muito difícil encontrar uma foto dele comendo.
Esse é o João, não é muito difícil encontrar uma foto dele comendo.

A partir do momento que a questão “saciar a fome” está resolvida, podemos refletir e variar os métodos do “como” saciar a fome. Outro ponto é que nunca esteve tão claro diante de nós o devastador efeito de uma geração de alimentação processada/industrializada. A saúde das pessoas está seriamente comprometida: basta olhar em volta e ver que o câncer se tornou doença corriqueira, resultado completo de um estilo de vida nocivo e viciado.

Assim, é mais do que necessário repensar a alimentação das crianças. Depois do João e sua introdução alimentar, me tornei uma pesquisadora informal de tudo o que diz respeito à comida. Isso foi catapultado quando resolvi empreender com a comida também: tenho a Doce Nostalgia, uma marca de doces que atualmente está em processo de reformulação.

E são os resultados dessa pesquisa e reflexões que eu quero dividir aqui, sempre que possível acompanhada de uma receita. Já adianto que não faço a linha Bela Gil, não gosto de radicalismos e preciso de alguma praticidade na minha vida. Mas como encontrar esse equilíbrio, e mais, quando identificar que a exceção é nociva, e a gente tá mesmo fazendo uma grande merda?

Vamos melhorar e repensar juntos a alimentação das nossas crianças?

Renata Checha