Receitas

MOLHO DE TOMATE LÁ DE CASA

Cheguei, cheguei! Prometi essa receita pra ontem, mas o que é uma semana sem um pouco de emoção, não é mesmo? Essa é uma receita de família? Em partes, sim. Dona Maria, minha vó, fazia um molho muito gostoso pra pizza que a gente comia em todas as festas de família. Sim, pizza. Uma pizza incrível. Deixemos esse assunto pra outro post. 🙂 Pois bem, ela fazia um molho que até hoje me inebria num tanto que é impossível não querer comer ele com absolutamente tudo o que eu encontrar na cozinha.

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Vó Maria e sua carinha de quem fazia um molho de tomate gostoso demais <3

Pra quem não sabe, existem pelo menos 50 tipos de tomate e não, ele não surgiu na Itália. O tomate é um fruto que surgiu na América e era queridinho do povo Asteca, que o mistura com pimenta, fazendo um pico de gallo. Ele era carinhosamente chamado de xitomatl, que quer dizer “fruta roliça com umbigo”. Fofo. Daí vieram os colonizadores, que obviamente estragaram tudo tinham impressão errada sobre tudo o que era novo e acreditaram que o tomate era venenoso. Aff. Até o século XIX, o tomateiro era usado como planta ornamental. Quanto tempo perdido! Depois disso, graças a um conquistador espanhol gente boa, que apresentou o tomatinho aos queridos indianos e caribenhos, foi só alegria.

Quanto à sazonalidade, temos sorte do tomate ter surgido em uma região com temperatura equilibrada. Essa fruta tão maravilhosa (sim, é fruta e não vamos entrar em polêmicas) pode ser cultivada o ano todo, desde que em local de temperatura amena. E como saber qual é a época boa para comprá-lo? Na tabela do Ceagesp da cidade de São Paulo, por exemplo, não temos bons tomates comercializados entre abril e julho, por conta do frio. Já em Campinas, o tomate fica disponível praticamente o ano todo. Pra comparar, em Pernambuco ele não é comercializado quando o nível do termômetro está lá em cima. Já em Curitiba ele não está disponível na época mais fria. Legal observar isso, né? Sazonalidade e preço andam sempre juntos, pode ter certeza.

Em relação aos agrotóxicos, eu gostaria de ter uma resposta positiva, mas hoje em dia, infelizmente, é impossível eliminar esse veneno do que a gente compra na feira. Atualmente, os produtores usam agrotóxicos sistêmicos, que penetram no fruto desde a seiva e praticamente se tornam parte dele. Higienizar com bicarbonato, vinagre, soluções com cloro vão eliminar micróbios, sim, correto. Remover a casca e sementes, por exemplo, também ameniza, mas os agrotóxicos estão na polpa dos alimentos. Estamos contaminados por um lado ou por outro. Sinto muito, de verdade. E também não vou mentir pra vocês passando receitas milagrosas que não funcionam.

Quanto aos orgânicos, aí é outra história. Eu entendo que nem todo mundo tem acesso a produtos cultivados sem agrotóxicos, então, faça o que estiver ao seu alcance. Sério. Sempre existem escolhas conscientes que equilibram o sistema, então, fique tranquilo, não se sinta tão pressionado. Quando der pra comprar, deu. Isso, contudo, não te impede de buscar produtores locais ou feiras de assentamentos pra começar a introduzir alimentos limpos de veneno no cardápio da sua casa, o que acha? 🙂

Agora chega e papo e vamos à receita:

Molho de tomate (1 kg)

Ingredientes

  • 2 kg de tomates italianos maduros
  • 1 (120g) cebola branca grande picada
  • 2 dentes de alho macerados
  • 1/2 xícara de chá (120ml) de azeite de oliva
  • 1 ramo pequeno de tomilho fresco (opcional)
  • 1 colher de sopa (15g)  de sal
  • Manjericão fresco

Modo de preparo

  • Comece escolhendo os tomates certos e o italiano é o que temos de melhor à disposição no Brasil pra molhos. Um tomate maduro tem cor vermelha intensa e é firme, porém carnudo, você sente ele pesado. Pro caso do molho, se ele estiver com batidinhas que não comprometam a saúde do tomate, nem esquente. Pode pegar que não interfere em nada no sabor. Não existe legume perfeito, mas sim bom uso dele.
  • Aqueça o forno a 180°C, lave os tomates e com uma faca, faça uma cruz na base. Se tiver preguiça, não precisa fazer, mas acho mais fácil remover a pele dessa maneira. Deixe os tomates no forno até a pele enrugar.
  • Remova a pele com cuidado, porque tomate quente é pior que vingança. Se ajudar, separe uma bacia com água e coloque-a no congelador enquanto espera pra mergulhar os tomates depois. a propósito, você acaba de fazer tomate pelado em casa.
  • Pique os tomates grosseiramente. Se você quiser tirar as sementes, fique à vontade, mas se o tomate estiver super maduro e vermelho, a polpa não vai deixar o molho ácido. Caso queira, corte o tomate em quatro partes (pétala) e tire as sementes com uma faca.
  • Em uma panela com fundo grosso já aquecida, coloque o azeite, a cebola, o alho e as folhinhas do tomilho fresco pra refogar um pouquinho.
  • Nessa fase eu sempre coloco o sal, porque depois é só ajustar. Prefiro colocar logo no começo, pois os tomates soltarão água e depois o caldo vai reduzir, concentrando sabor. Dificilmente precisa de mais sal depois.
  • Não precisa colocar açúcar no molho. Eu sei, sua mãe coloca e minha vó também, mas não precisa porque o açúcar não serve pra nada além de adoçar e mascarar o sabor ácido. Se o seu tomate não estiver tão maduro nem comece o molho opte por colocar um pouco de cenoura ralada já na hora de refogar. “Mas a cenoura adoça também”, sim, eu sei, mas o açúcar da cenoura é bem melhor que o açúcar de cana refinado, né? Aliás, o alho no preparo serve como um ótimo elemento neutralizador de acidez.
  • Coloque os tomates grosseiramente picados, misture tudo, tampe e deixe no fogo baixo. Misture eventualmente só pra não grudar e deixe cozinhando por pelo menos 30 minutos.
  • Quando o molho estiver concentrado e com bastante sabor, tire a tampa pro caldo reduzir um pouco e encorpar. Isso deve levar, em média, mais 15 minutos. Se quiser, pode bater os pedaços maiores com um mixer. Como eu gosto dele pedaçudo, eu escolho os maiores pedaços e processo, na panela mesmo. Se você gostar mais líquido, pode bater no liquidificador.
  • Acerte o sal se precisar, desligue o fogo e coloque manjericão. Tampe pro sabor se integrar, caso o molho seja guardado em seguida, ou coloque as folhas logo antes de servir.
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Pra guardar o molho, cinco dias na geladeira e até três meses no congelador. Eu super encorajo quem eu conheço a aprender receitas básicas que podem salvar qualquer jantar, seja ele no dia a dia ou um super especial. Além disso, fazendo molho em casa ou comprando de alguém que faça com todo o cuidado, fará bem pra saúde, pro coração e evitará a fadiga de comer pelo de rato. <3
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Surra de tomate hoje, né? Fala sério! Me contem se fizerem?

Bom apetite!

Um beijo

Ana Sama